Semana do Meio Ambiente traz alerta sobre impactos de grandes obras

Em 01/06/2026
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A Semana de Meio Ambiente da Alepe iniciou as atividades, nesta segunda, com um seminário para debater os impactos ambientais de grandes empreendimentos. O evento, promovido pela Comissão de Meio Ambiente, trouxe palestrantes que defendem comunidades afetadas por grandes obras de infraestrutura, como usinas eólicas, linhas de transmissão e rodovias. A presidente do colegiado, deputada Rosa Amorim, do PT, explicou a escolha do tema.

Não teria como deixar de fora da discussão algo que está sendo crucial para nós, que são as construções dos grandes empreendimentos que pega todos os biomas pernambucanos, do Sertão ao litoral, seja com a construção de complexos eólicos, a construção de grandes empreendimentos na beira do mar, privatização das nossas praias, a expulsão das comunidades tradicionais por conta da mineração.”

Um dos exemplos citados no seminário foi o impacto de usinas eólicas e solares e de linhas de transmissão de energia em comunidades rurais, especialmente no Agreste Setentrional. A professora de Geografia da UFPE, Carolina Leite, afirmou que empresas assediam proprietários dos terrenos das torres eólicas, propondo contratos complexos para pessoas que não sabem ler. Ela também citou impactos das usinas na saúde das pessoas e no equilíbrio ambiental.

A gente acompanhou um processo feito pela UFAL de fazer audiometria nas crianças que moram em comunidades impactadas. Tem crianças de menos de 12 anos que perderam 40% da sua audição. As eólicas afetam diversos animais, principalmente os que voam, pássaros, morcegos, abelhas – não se faz roça sem animais polinizadores.”

Grandes obras previstas para o estado, como o Arco Metropolitano e a Escola de Sargentos, na Região Metropolitana, foram abordadas por Herbert Tejo, do Fórum Socioambiental de Aldeia. Ele ressaltou que a luta da sociedade civil conseguiu diminuir a área de  supressão de Mata Atlântica prevista para a Escola dos Sargentos. A Escola de Sargentos é um complexo militar que foi escolhido para ser instalado exatamente dentro dos restos de Mata Atlântica que nos restaram. O projeto original ia desmatar quase 200 hectares de mata. Depois de muita luta da sociedade civil, isso foi reduzido para 100 hectares, num estado onde praticamente não existe mata.

Mas, para Herbert, também é preciso medidas mais incisivas para fiscalizar unidades de conservação e um esforço efetivo para a criação de um corredor ecológico para o resquício de Mata Atlântica em Pernambuco. A reunião também teve a participação de representantes de trabalhadores rurais, indígenas e quilombolas, e contou com estudantes do Ginásio Pernambucano na plateia. Além disso, também estiveram presentes o deputado João Paulo do PT e representantes da OAB Pernambuco e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade.